Entrevista a Gonçalo Caeiro, chairman da Infosistema

Entrevista a Gonçalo Caeiro, chairman da Infosistema

“Temos sempre coisas novas para fazer e essa é que é a parte gira da tecnologia”

Por Sofia Franco

A consultora tecnológica está a par das últimas tendências da transformação digital, mas não deixa de ter um sentido crítico sobre a mesma. Até porque, como considera Gonçalo Caeiro, “a transformação mais difícil é a humana”. Acima de tudo o que importa é divertir-se com o que se faz.

A inteligência artificial chegou para nos ajudar ou para nos roubar os empregos?

As pessoas têm sempre essa preocupação, essa visão do copo meio vazio. Eu tenho uma resposta padrão: pergunto se as pessoas lavam a roupa à mão. Podem achar disparatado, mas no início do século XX as lavadeiras faziam 10% do mercado laboral de Inglaterra. Uma em cada dez pessoas ocupava o seu tempo a lavar a roupa à mão. Se perguntar a um millennial se quer lavar a roupa à mão, se calhar vai dizer que não. Como tal, isto é sempre um jogo do gato e do rato. Estamos sempre a destruir empregos numa área e a reconstruir noutra área de maior valor acrescentado.

Há esta ideia de que, por um lado, a inteligência artificial reduz a papelada e a burocracia e poupa tempo, mas por outro lado vai cortar a necessidade de ter uma pessoa para um trabalho.

Isso é verdade. Há pessoas que estão altamente desconfortáveis pelo facto de o negócio que estavam a executar poder desaparecer agora. Mas diria que essa visão é um pouco à “velho do Restelo”. A questão aqui é se faço embrace of the change: se eu sei que vou ter de viver com isso e procuro outras áreas melhores e mais divertidas. Nós temos projetos de inteligência artificial a resolver o problema de muitas empresa na gestão documental.

É mais difícil gerir tecnologia ou gerir pessoas?

É muito mais complicado gerir pessoas (risos). A tecnologia tem regras muito bem definidas. E nós conseguimos sempre controlar a tecnologia. Não é só uma questão de controlo, a tecnologia é altamente previsível. O atrativo das pessoas é que são altamente imprevisíveis.

Portanto, tem os seus prós e contras…

Bem, tudo tem. Agora fala-se muito em transformação digital. O cerne da questão não é a transformação digital é a transformação humana. As empresas que já fizeram a transformação humana certa agora não têm problemas em fazer a transformação digital. As empresas que têm problemas de transformação digital muitas vezes têm problemas de transformação humana.

E sente que vocês têm conseguido levar essa transformação para a frente? Já foram considerados PME líder por 8 anos consecutivos.

Nós ainda estamos vivos porque ainda temos alguma capacidade de adaptação. O que estamos a fazer hoje não tem nada a ver com o que fazíamos há 5 ou há 10 anos atrás. E essa é a parte divertida da questão.

Acompanhar as tendências…

É que temos sempre coisas novas para fazer e essa é a parte gira da tecnologia. A única garantia que nós temos é a de que daqui a um ano as coisas estão diferentes.

Tecnologia no trabalho é bastante. E na vida pessoal?

Claro. Compras… Há dois tipos de resposta. Utilizo como qualquer um, e ocmo tenho mais insight até a utilizo mais od que as outras pessoas. No entanto, em off time desativei algumas coisas. Eu não vejo o número de e-mails que me cai na caixa de correio. Eu consigo desligar. quando estou off estou off. Não estou incontactável, mas não estou a ser pressionado. Agora temos escritórios em vários sítios, com várias time zones, há sempre  um email que está a chegar a qualquer sítio a qualquer altura do dia. Eu acho que as pessoas têm de ter a capacidade de desligar e se tiverem significa que estão a fazer um bom trabalho de delegação.

Como resumiria o impacto da Infosistema no mundo das ITs?

Somos uma gota no oceano. Há uns anos fez-se um estudo estratégico sobre qual seria o impacto se uma das grandes tecnológicas mundiais desaparecesse. O impacto durava 12 meses, ou seja, ao fim desse tempo todo o planeta já se tinha realinhado para soluções completamente substitutas ou complementares. Por isso, não vivo a questão do ego.

Está mais focado nos resultados?

Fazemos o nosso papel. O Steve Jobs tinha essa preocupação, a de “eu quero ter o meu impacto no Universo”, deixar a minha marca. O Einstein deixou uma marca muito maior do que o Jobs alguma vez deixou e o Jobs existe porque existe a teoria da relatividade, por exemplo. E o Einstein não tinha propriamente essa necessidade do ego. Apenas gostava de fazer coisas divertidas e de descobrir como é que o Universo funcionava. Porque lhe dava satisfação pessoal.

Identifica-se mais com o Einstein, então.

Identifico-me muito mais com fazer coisas divertidas e ter satisfação pessoal durante o processo e ver o meu trabalho um bocadinho como um hobby.

Qual é o próximo passo?

É continuar. Uma das coisas de que eu gosto numa empresa é que posso chegar e dizer “agora vamos fazer isto”, e tenho a liberdade para o fazer. Não estamos sujeitos a pressões de headquarters ou da bolsa. Acordamos, chegamos aqui, criamos uma equipa e um produto. Pode ir a algum lado, pode não ir a lado nenhum. Nestes últimos anos temos conseguido fazer muita coisa.

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